
Tendo passado por Lisboa no final do ano passado, os britânicos Editors não demoraram muito a regressar a Portugal. Depois de actuarem no Campo Pequeno (Lisboa) ontem
, esta noite foi a vez do Coliseu do Porto os receber (com o mesmo alinhamento) - longe da lotação esgotada, mas bastante compostinha.
Eram 22h em ponto quando "Camera", do álbum de estreia, abriu o concerto de uma forma que o resto do espectáculo iria contrariar. Início morno para um concerto sempre a abrir. Sem meias medidas, arrancam três temas fortíssimos logo de rajada: "And End Has a Start" (tema em que o pano - que cobria a tela com a imagem deste segundo trabalho - caiu), "Blood" e "Bullets". Ao vivo, os temas tornam-se gigantes e o intenso jogo de luzes coloridas sobre a imagem ajudaram a dissipar todas as sombras que em álbum nos chegam. A voz de Tom Smith é um instrumento que enche uma sala de uma forma quase arrepiante e a forma como agarra cada um dos temas faz dele um
frontman com uma prestação notável - que é nitidamente dele, vivendo a música de forma intensa e natural.
Com o público já agarrado, senta-se ao piano e faz-se ouvir "The Weight of the World", para logo de seguida a guitarra distorcida assumir o comando em "Escape The Nest". Sem tirar o pé do travão, chega "Lights" - que deu lugar a "When Anger Shows", com Smith de novo ao piano. "Banging Heads" (lado B do
single "The Racing Rats") e a
cover da "Lullaby", dos The Cure, serviram para respirar antes de um novo ataque.
Do primeiro álbum, chegam "All Sparks" e "Munich" - esta última, um dos pontos mais altos do concerto. "Push Your Head Towards the Air" é apresentado de forma acústica, apenas com guitarra e piano. Smith sobe ao piano para agradecer ao público e é de lá que lança o mote para "Bones" - com a ameaça de final de concerto. Já com toda a gente a dançar, chega "Fingers in the Factories" - a que nenhum corpo ficou indiferente.
Depois de uma curta saída de palco, a banda volta para o
encore. "The Racing Rats" volta a encher o palco de cor, antes do antiguinho lado B "You Are Fading". "Smokers Outside the Hospital Doors" fecha o espectáculo com chave de ouro, de forma épica e intensa.
Ao vivo, estes senhores são uma surpresa. Transformam cada um dos seus temas em momentos de intensa partilha e sobem ao palco com uma maturidade musical a que é difícil não dar importância. Seguros, intensos e humildes - ingredientes que podem fazer dos Editors uma banda de culto. Entre o público adolescente (a esmagadora maioria), já o parecem ser. E entre o público, passeavam-se t-shirts de nomes como Joy Division, Pixies, R.E.M. ou Sonic Youth - o que também revela o quão transversal é o público que os ouve. Se dúvidas existissem, ficou claro que são um nome a seguir de perto.
Na primeira parte, estiveram os Mobius Band - que misturam uma sonoridade electrónica com um rock a tender para o dançável, ainda que o resultado nem sempre seja fantástico. Foram competentes e a meia hora em que actuaram até passou rapidamente, ou seja, foram uma boa banda de suporte.
Alinhamento:
Camera
An End Has A Start
Blood
Bullets
The Weight Of The World
Escape The Nest
Lights
When Anger Shows
Banging Heads
Lullaby (Cover dos The Cure)
All Sparks
Munich
Push Your Head Towards The Air
Bones
Fingers In The Factories
The Racing Rats
You Are Fading
Smokers Outside The Hospital Doors
a foto é da Blitz, do concerto de Lisboa, o fotógrafo de serviço hoje estava sem paciência