Nenhuma destas ofertas constava da nossa ementa, por isso optamos por deambular pelo edifício que, uma noite por mês (ainda que este mês apresentasse dose dupla), se tornou hábito na rotina portuense. No bar, os pratos estavam a cargo de PG Jesper e da sua electrónica ambiente e passagens pelo jazz. Pela sala cybermúsica, actuava o dinarmaquês Jacob Kirkegaard, a apresentar "Aion (4 Rooms)" - um trabalho "que pretende desvendar quatro espaços abandonados dentro da Zona de Exclusão de Chernobyl"... Na verdade, a forice era a nota dominante e a deambulação continuou até cerca da 1h da manhã.
Na Sala 2, aconteceria a estreia em solo português de dois novos projectos: Vampire Weekend e These New Puritans. E seriam os Vampire Weekend os primeiros a pisar o palco - e também a sair dele como os vencedores da noite.

Quatro nova-iorquinos, todos de camisinha e um certo ar geek, sobem ao palco para apresentar a sua fusão de pop/rock com influências da música africana e mesmo de música clássica. Com um considerável hype à sua volta, os Vampire Weekend são tidos como uma das bandas do ano e esperava-se um bom concerto. Na bagagem, viria o seu homónimo trabalho de estreia (aqui em posto de escuta) e logo aos primeiros acordes o público respondeu com entusiasmo, com o movimento a tornar-se imperativo. Actuam como se estivessem na sala de estar, mostrando uma certa maturidade em palco - de forma descontraída.
E, ao vivo, afastam-se de forma clarissíma das críticas negativas iniciais (que os acusavam de ser uma cópia pouca inspirada de uns Talking Heads) e conseguem transmitir uma certa alegria, aliada à sonoridade "boa onda". Quanto a Ezra Koenig (o vocalista), aproxima-se algumas vezes do timbre do vocalista de outros norte-americanos: os Kings of Leon (mais evidente durante "M79", por exemplo). Correndo apenas o risco de se tornarem maçadores com o aproximar da hora completa de concerto, são - de facto - um nome a manter debaixo de olho.
"Mansard Roof", "A-Punk", "Cape Cod Kwassa Kwassa" e "Walcott", foram os momentos (esperadamente) mais altos de uma boa estreia. Elogiaram a Casa da Música, dizendo que o edifício era tão sensual que também os fazia sentir sensuais, mas aquilo que mais marcou o público foram mesmo as "vibrações positivas" que se associam à sonoridade que praticam.
A comunicação com o público foi uma constante, com apelos a gritos colectivos ou a entoar o refrão ("Blake's Got A New Face"). Um concerto pa lamber, com a debandada no final do concerto a mostrar quem o público tinha vindo ver.

Ainda assim, a Sala 2 continuou composta para receber os These New Puritans - banda que pode se situar ao lado de uns Shitdisco ou Klaxons, dentro do movimento new-rave, com as suas raízes no pós-punk e influenciados pelo electro-rock e mesmo algum psicadelismo. A expectativa para ver como iriam transpor o seu "Beat Pyramid" (aqui em posto de escuta) para uma actuação ao vivo era o ingrediente que ia mantendo o público - poucos temas no álbum se aproximam do que se entende por "canção". Entraram em palco (sem Sophie Sleigh-Johnson, com Tomas Hein a desdobrar-se entre o baixo e a programação) e durante uma muito curta (não têm material para mais, verdade seja dita) actuação, revelaram uma evidente falta de fibra. Apagaditos e a corresponder apenas a metade da sonoridade em álbum, optaram por uma actuação rápida - e nem sempre eficaz.
Quem não desistiu durante os cerca de 40 minutos de actuação assistiu aos desvarios de uma banda nova, com muito caminho a percorrer. E assistiu também a bons momentos como "Numerology (aka Numbers)", "Colours", "C. 16th" ou à contagiante "Elvis" - com parte do público a reagir através da dança/pulos/whatever. Fossem uma banda mais carismática e podiam ter incendiado a sala - mas apagam mais do que acabam por incendiar... Em temas como "Swords of Truth" ou "En Papier" o piloto automático não permitiu levar a actuação além de um putável. Se perguntassem à saída se o concerto tinha sido bom, muito boa gente provavelmente diria "nim".
Pelo bar (depois dos autoKratz actuarem na cybermúsica), a noite encerraria com Brodinski. Do techno ao house, do minimal ao devaneio, não convenceu. Dava para ir batendo o pézinho, mas a mistura de estilos era inversamente proporcional à capacidade de fazer dançar.

































