Nov 10, 2010

BRMC no Hard Club

Sob o pretexto de "Beat the Devil's Tattoo", os Black Rebel Motorcycle Club apresentaram-se esta noite na sala 1 do Hard Club, na segunda data deste regresso a palcos nacionais. Numa actuação com cerca de duas horas, e a centrar-se neste sexto álbum, o muito público presente na plateia seria brindado com um bom resumo da discografia dos norte-americanos.


reportagem FestivaisPT
fotógrafo: Marco Eira


Formados em 1998, em São Francisco, os Black Rebel Motorcycle Club misturaram influências do shoegaze e nomes como The Jesus and Mary Chain, The Stone Roses ou My Bloody Valentine para apresentar um garage rock com ingredientes diversos: blues, folk ou mesmo gospel. Começaram por se chamar The Elements, mas rapidamente deixaram de lado esse título para adoptar o actual, inspirado no gang de Marlon Brando em "The Wild One".



Um ano depois, e já em Los Angeles, apresentavam a sua demo - e até Noel Gallagher (Oasis) se mostrou interessado em adicionar os BRMC à sua Brother Records. Com contrato assinado com uma major (Virgin Records), chega o primeiro trabalho, homónimo, e a digressão com os The Dandy Warhols pelos Estados Unidos. Com uma carreira consistente, exploraram desde então várias sonoridade ao longo de uma discografia representada por diferentes editoras.

Num arranque de concerto visualmente intenso, graças às luzes estroboscópicas incessantes, Peter Hayes, Robert Been e Leah Shapiro apresentar-se-iam num palco sem grandes adereços e sob o negro do vestuário. "War Machine" e "Mama Taught Me Better" comprovam o destaque do mais recente trabalho de originais, mas ao terceiro tema trazem ao palco o disco de estreia: "Red Eyes and Tears" gera a primeira reacção sonora entre o público.

Mesmo com a digressão ensombrada pelo falecimento de Michael Been (The Call), pai de Robert Been, que sucumbiu a um ataque cardíaco no backstage do festival Pukkelpop em Agosto, os BRMC revelam-se uma máquina bem oleada em palco, com todos os ingredientes da sonoridade a fazerem sentido ao longo da actuação. Desde uma harmónica a evocar a figura de Bob Dylan às camadas shoegaze com volume no vermelho.



"666 Conducer" e "Bad Blood" abrem caminho para a mistura de folk e blues de "Ain't No Easy Way", um dos pontos mais altos na sala. Já com ritmo bem vincado entre os bateres de pé, chegam então três dos maiores sucessos do projecto norte-americano: "Berlin", "Weapon of Choice" e "Whatever Happened to My Rock 'n Roll?".

Sempre com um sentido de urgência presente nos temas, houve lugar à excepção em registo acústico antes de nova investida, com "Conscience Killer" e "Six Barrel Shotgun". E eis que "Spread Your Love", tema retirado do disco de estreia e um dos hinos na carreira dos Black Rebel Motorcycle Club, ameaça o final de concerto.

No regresso ao palco, despedem-se com o turbilhão da nova "Shadow's Keeper" e um aplauso convicto, após uma actuação em que comprovaram a sua importância dentro do movimento rock n' roll ao longo da última década.


Na primeira parte, já com um público muito significativo presente na sala, estiveram os doismileoito.

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