Na estreia da festa de Natal dos Soulwax em território nacional, o Palácio da Bolsa, no Porto, veria a sua capacidade testada pelo muito público que não faltou ao convite dos belgas. Soulwax, 2 Many DJs, Goose, Paul Chambers e Mixhell seriam os principais responsáveis por uma noite de celebração.
reportagem FestivaisPT
À quinta edição, o Optimus Hype associou-se às Soulwaxmas para trazer ao Porto a primeira edição dos eventos em Portugal. Contrariando todas as expectativas e reputação da Invicta, à meia-noite o átrio do Palácio da Bolsa, transformado hoje em pista de dança fora do vulgar, encontrava-se já bastante preenchido. Com a mesa de mistura sob o comando dos Let There Be Rock, após a actuação dos The Boys Who?, foi ao som de vários hits do passado recente do rock que a sala começou a ver o espaço vazio reduzido.
Com uma pontualidade imaculada ao longo de todo o evento, seriam os belgas Goose os primeiros internacionais a pisar o palco. Dois anos depois da actuação no EcoUndersky, festival que decorreu a poucos metros de distância do Palácio da Bolsa, seria o mais recente disco "Synrise" o pretexto para a actuação de cerca de 40 minutos desta noite.
Destacando este segundo disco, é com o tema-título que arrancam o concerto (ainda que sem a voz de Peaches), antes de "Can't Stop Me Now" mostrar de forma mais vincada a fusão de electro e rock em que os Goose se movem. "Bring It On" e "British Mode" traziam ao palco o disco de estreia dos belgas, que se despediram ao som da nova "Words", perante um público já rendido.
Com o relógio a marcar 1h40, era tempo das atenções recaírem de novo na mesa de mistura, colocada em posição avançada face ao palco - entretanto 'fechado' por cortinas de luz cintilante. Atrás dos pratos, uma das presenças mais esperadas da noite: Paul Chambers. Outrora parte dos Soulwax, dedica-se agora a uma carreira em nome próprio a que "Yeah, Techno!" deu especial alento. E o tema dá também sérias indicações sobre a sua abordagem à electrónica.
Com dupla actuação (primeiro em registo dj set, depois em formato live), seria o convidado que durante mais tempo comandou o ritmo numa pista entretanto já compacta. Para 2011 sabemos que Portugal é já um destino na agenda de Paul Chambers e depois da prestação desta noite facilmente se percebe porquê.
Sem interrupções, as cortinas/luzes voltam a afastar-se e os Soulwax estão já em palco, prontos para uma actuação arrebatadora. Com várias novidades no alinhamento, seria logo com "E-Talking" que o público se rendia ao quarteto em palco, que redefine o conceito de electro-rock e o aponta às pistas de dança. Em registo mash-up, "Miserable Girl" e "Another Excuse" convenceram os poucos ainda não rendidos e com "We Are Animals" (tema em colaboração com os Crookers) e "Raven" (Proxy) a dança tornou-se movimento generalizado.
"Theme From Discotheque" (do projecto paralelo Samantha Fu) e "NY Lipps" colocavam um ponto final no primeiro grande momento da noite. Com as cortinas de novo cerradas, Paul Chambers regressa à frente de palco para o seu live act em registo techno musculado, até o regresso dos irmãos Dewaele ao palco. Às 4h, chega então o momento mais aguardado da noite, com os 2 Many DJs a apresentar a sua "Under the Covers Tour".
Musicalmente, é já conhecida a capacidade de David e Stephen juntarem temas inusitados e criarem sequências que desafiam a lógica habitual. Nesta actual digressão, juntam o ingrediente visual: as capas de álbuns animadas e sincronizadas com os temas com que vão brindando o público. E esses tão depressa têm como autores os artistas mais emergentes (Mumbai Science, Light Year, Carte Blanche), como os clássicos (Queen, Daft Punk, Depeche Mode) ou o território rock/metal (AC/DC, The Undertones, Sepultura). Juntemos hits recentes como "Positif" (Mr. Oizo), "Lemonade" (Boys Noize / Erol Alkan) ou "Standing in the Way of Control" (The Gossip) e está encontrada a receita aparentemente fácil para levar 2500 pessoas ao rubro.
Seriam os Mixhell os últimos convidados internacionais a subir ao palco, num dj set eclético e pautado pela presença pontual de Igor Cavalera (ex-Sepultura) na bateria, a acompanhar a prestação de Laima nos pratos. Com a característica peculiar de serem um casal, os Mixhell conseguiram no mesmo set apresentar temas de Chilly Gonzales, Dennis Ferrer, Proxy e Snap!. Em cima das 6 da manhã, à bateria de Igor juntam-se então mais 4, numa "A Bit Patchy" (Switch) em registo jam session partilhado entre os leitores de CDs e os 5 bateristas.
Estava encontrado o momento apoteótico da noite e até a iluminação se ressentiu, com o Palácio da Bolsa a permanecer na penumbra durante o arranque do dj set de Uma Naper. Com "Money for Nothing" (Dire Straits) estava feito o convite para que o público, ainda compacto, não abandonasse já a sala e a festa prosseguiu até às 7h.
Dec 5, 2010
Subscribe to:
Post Comments (Atom)
No comments:
Post a Comment