Na primeira edição do ano, o Clubbing faz justiça ao nome, com várias tendências dentro da música de dança actual espalhadas pelo edifício da Casa da Música.
reportagem FestivaisPT
(excepcionalmente, não há fotos desta noite)
Makossa & Megablast
Com a Áustria em destaque na programação da Casa da Música em 2010, coube ao duo vindo de Viena a abertura de noite na Sala 2. Repetindo presença no Clubbing (actuaram em Abril de 2008, num dos corredores), desta vez os Makossa & Megablast tiveram direito a destaque no evento.
Com os bilhetes esgotados, foi uma plateia muito bem composta que recebeu os autores de "Kunuaka". Marcus Wagner-Lapierre (Makossa) e Sascha Weisz (Megablast) são uma dupla de DJs com uma já longa carreira, numa sonoridade de fusão: do
house ao
hip hop, do
dub ao
disco. Acompanhados de voz e percussão, as 4 presenças em palco abriram uma noite em que a electrónica reinou na Sala 2.
Com o
house em pano de fundo, as várias influências do projecto conviveram ao longo dos cerca de 90 minutos da actuação: do
funk carioca de "Late Que Eu Tô Passando" até às influências étnicas da incontornável "Kunuaka".
Lindstrøm
Com um disco a solo e vários num registo colaborativo, especialmente com Prins Thomas, o norueguês Hans-Peter Lindstrøm é já dono de uma consistente discografia e carreira. "Real Life Is No Cool", novo disco com Christabelle, seria o pretexto para a passagem desta noite pela Casa da Música, em data única em Portugal.
Numa actuação consistente, faltou a presença de Christabelle Sandoo em palco, voz que resulta de uma colaboração com 7 anos, quando na altura se apresentava enquanto Solale. Mesmo que pré-gravada e não de forma física, já que os vocais se resumiram a breves introduções dos temas, apresentados sem pausas e aproximando a actuação ao registo
dj set.
Foi preciso esperar pelo final do
live act para que "Baby Can't Stop" se fizesse ouvir, numa prestação a sair prejudicada pela falta de vocais a complementar o lado instrumental solidamente apresentado pelo norueguês. Ainda assim, o
nu-disco que Lindstrøm pratica, tão retro como futurista, desde cedo conseguiu conquistar o público, que recebeu com agrado o convite à dança.
Spank Rock &
Teenwolf
Já sem limitações de acesso, o final de noite na Sala 2 arrancou com Teenwolf no comando dos pratos e os Spank Rock no lado vocal, com 3 MCs na frente de palco. Fundindo
live act com
dj set, até "Day Off" do português Xinobi ou "Pon de Floor" dos Major Lazer serviriam de mote para a festa. Inseridos na cena "Baltimore Club" (ou b-more), representam bem a fusão do
house com o
hip hop, sem fronteiras estanques e com o
electro em lugar de destaque.
Naeem Juwan (rapper) e Alex Epton (produtor, também conhecido por XXXchange) são a espinha-dorsal do projecto norte-americano, com Chris Rockswell, Ronnie Darko e Amanda Blank na formação mais alargada dos Spank Rock. Depois de, em 2006, "YoYoYoYoYo" apresentar ao mundo a sua visão do
hip hop com influências vindas do
french touch, partilharam palcos com Björk, M.I.A. ou Beck.
Esta noite, e já depois dos colegas
Ninjasonik se terem apresentado no bar (colectivo de que Teenwolf faz parte), continuaram a digressão europeia "Bathroom Sex", iniciada ontem no Lux, em Lisboa. Com o Clubbing a diversificar a oferta musical, o
hip hop dos norte-americanos conseguiu cativar o muito público ainda presente na Sala 2, com o ponteiro a aproximar-se das 4h.
Na zona do bar, entre o live de Ninjasonik, a noite esteve a cargo de
Octa Push - enquanto o restaurante recebeu o
dj set do
DJ Norberto Fernandes. Na Sala Suggia, a noite arrancaria com a projecção de "Nosferatu".
Gustav,
Gary War e um documentário sobre Jimi Hendrix apresentado por Álvaro Costa constituíram a restante oferta do Clubbing desta noite.
A próxima edição acontece a 27 de Fevereiro, com concerto dos Teratron e
dj set de Steve Aoki.