O Plano B recebeu esta noite e em exclusivo nacional o showcase Italians Do It Better. Com actuações de Glass Candy e Desire ao lado do dj set de Mike Simonetti, a editora estreou-se em forma em palcos nacionais.
reportagem FestivaisPT
(excepcionalmente, não há cobertura fotográfica)
Ganhando vida em 2006, enquanto blog, a marca Italians Do It Better rapidamente conseguiu destaque e reconhecimento. Enquanto editora, nasceu em 2007, piscando o olho ao
disco noir e
italo disco. Johnny Jewel é o elemento comum aos projectos-chave da editora que hoje passaram pela Invicta e, com Mike Simonetti, fundou a editora que se estreou em Portugal esta noite.
A par dos Chromatics, hoje ausentes, os Glass Candy são o principal cartão de visita da Italians Do It Better, que reune ainda Farah, Bottin, Mirage ou Professor Genius. Numa altura em que a indústria discográfica se mostra desgastada, é de louvar a criação de uma identidade vincada e facilmente reconhecível enquanto o negócio da música se encontra em declínio.
DESIRE
A abertura da noite coube aos Desire, quando passavam poucos minutos das 0h30. Com o disco de estreia "II", editado no ano passado, o projecto que reune Johnny, Nat Walker e a voz da canadiana Megan Louise conseguiu despertar atenções, com uma sonoridade mais vincada no
disco noir e num ambiente de forte carga sensual.
Numa actuação com cerca de 30 minutos, o projecto aproveitou para se dar a conhecer entre o muito público já presente na Sala Palco. Ainda que o destaque da noite pertencesse aos Glass Candy, os refrões debaixo da língua de parte da assistência facilmente revelariam que os Desire ocupam já um lugar no pódio da editora.
Ritmicamente mais contidos, trataram de instalar o ambiente de revivalismo a piscar o olho ao futuro, imagem de marca da Italians Do It Better. Desde a sensualidade do arranque com "Oxygene" ao apelo dançável de "If I Can't Hold", os Desire assinaram um concerto sólido e despertaram atenções.
Alinhamento:
Oxygene
Mirroir Mirroir
Don't Call
Dans Mes Rêves
If I Can't Hold
Under Your Spell
GLASS CANDY
Com Johnny Jewel sempre em palco durante uma pequena pausa entre actuações, "Stars & Houses" e a voz de Ida No apanharam o público na zona dos bares de surpresa. Numa Sala Palco rapidamente compacta, o público procurou assistir de perto ao concerto principal da noite.
Com mais de 15 anos de carreira, os Glass Candy evoluiram de uma sonoridade de fusão entre o
noise rock e a pop electrónica. Já com etiqueta Italians Do It Better, é ao terceiro disco ("B/E/A/T/B/O/X") que chega o reconhecimento de público e crítica especializada.
O destaque desta noite, contudo, recaiu em "Deep Gems", compilação de temas dos Glass Candy que abre caminho para um novo álbum, a ser editado em breve. Se os Desire apelam ao lado mais sombrio do
disco, com os Glass Candy o espectro alarga-se e os estilos ganham elasticidade.
Com novas roupagens, os temas trataram de quebrar fronteiras entre o
disco e o defunto
electroclash. "Animal Imagination" ganhou contornos de festa e o público não hesitou em devolver a energia logo ao segundo tema. Perante o ritmo insinuante de "The Beat's Alive" a sala transformou-se definitivamente em pista de dança, sob o apelo sensual de Ida No.
"Miss Broadway" e "Geto Boys" trataram de provocar reacções ainda mais visíveis e efusivas, entre um público a certas alturas ao rubro. A invasão de palco - com direito a fotos e beijinhos com Ida No - apareceu, assim, naturalmente no ponto final de uma actuação que pecou apenas pela curta duração.
MIKE SIMONETTI
Nos pratos e ao lado dos portugueses Rui Maia e Mr Mitsuhirato, esteve o outro co-fundador da Italians do It Better. Com raíz no punk hardcore, Mike iniciou a sua carreira enquanto promotor no final da década de 80. Rapidamente surge também o fascinío pelo djing, enquanto lança a sua Troubleman Unlimited Records - com nomes como Black Dice, Wolf Eyes, The Walkmen ou Devendra Banhart no catálogo.
Principal impulsionador da editora, foi com algumas festas lendárias, em que bandas como The Fall, The Gossip ou Yeah Yeah Yeahs marcavam presença, que o pós-punk e a recuperação do
disco abriram caminho à ideia de fundar a Italians Do It Better.
Os Glass Candy voltam ao nosso país a 22 de Maio, para uma actuação no Lux, em Lisboa. Os bilhetes, já à venda, custam 22€.