O Teatro Sá da Bandeira recebeu esta noite a edição especial do Clash Club, dedicada ao formato live. Com a fraca procura de bilhetes a obrigar ao cancelamento do segundo dia, foi com uma plateia a meio gás que neste primeiro e único dia se fez a festa.
reportagem FestivaisPT
fotógrafo:
Marco Eira
Com ano e meio de existência, o Clash Club ganhou uma posição destacada no panorama electrónico nacional e as festas fidelizaram ao longo destes meses um público vindo essencialmente do território mais maximal do electro. Com a inclusão de concertos de uma forma progressiva nas últimas edições e após a chegada do evento à cidade de Lisboa, a premissa deste fim-de-semana era conciliar no mesmo cartaz as mais diferentes abordagens à música electrónica.
MOULLINEX
A primeira actuação da noite ficou a cargo de Moullinex, na estreia do projecto em formato live em Portugal. Luís Clara Gomes é um dos nomes mais destacados na electrónica com origem portuguesa a um nível global, vivendo actualmente em Munique. As remisturas de sabor retro foram o melhor cartão de visita, editadas por casas tão ilustres como a Modular, Kitsuné ou Gomma.
Para o concerto desta noite, Luís fez-se acompanhar da formação dos Moullinex enquanto banda: Bruno Cardoso (Xinobi) na guitarra, Luís Calçada no baixo e Hermann Bauerecker nas congas. Os ingredientes, esses, são os mesmos a que nos habituou ao longo dos últimos anos: disco, funk, new wave e house.
Com um alinhamento essencialmente composto por temas instrumentais, seria com o mais recente single "Superman" que o quarteto haveria de conquistar a parte do público que compareceu mais cedo do que o habitual. Tal como Fatboy Slim, também Luís Clara Gomes recorreu ao sample de Babatunde Olatunji, em "Jin Go Lo Ba", mostrando que passado e presente não são compartimentos estanques nas pistas de dança.
SHY CHILD
Vindos do outro lado do Atlântico e em estreia em palcos nacionais, os Shy Child trouxeram de Nova Iorque o recente "Liquid Love". E foi exactamente com o tema-título deste quarto disco que Pete Cafarella e Nate Smiths arrancaram o concerto.
Afastando-se da sonoridade mais groovy gravada em estúdio, os temas sofreram mutações em palco que os tornaram praticamente irreconhecíveis. Sem medo de gastar trunfos numa fase inicial, apresentam "Disconnected" numa sala progressivamente rendida à jovem dupla.
Revisitando o passado recente, "Summer", "Astronaut" e "Drop the Phone" - todos eles parte de "Noise Won't Stop", disco de 2007 - dividiram atenções com o novo álbum que serviu de pretexto ao concerto desta noite. Para o final de uma actuação com cerca de 50 minutos, ficaria uma festiva "Criss Cross" e um público aparentemente satisfeito.
alinhamento:
Liquid Love
Disconnected
Summer
Take Us Apart
Open Up the Sky
Astronaut
The Beatles
Drop the Phone
Criss Cross
KAP BAMBINO
Dúvidas existissem sobre o maior destaque da noite para o público e elas rapidamente iriam desaparecer com a entrada dos franceses Kap Bambino em palco. Orion Bouvier e Caroline Martial são já donos de uma reputação incendiária, conquistada ao longo das várias actuações em Portugal.
Meio ano após a transformação da Casa da Música em motim electroclash, o público compactou-se na metade mais próxima de um palco na penumbra para receber em euforia desde o primeiro minuto os autores de "Blacklist".
Debaixo de uma t-shirt de "Unknown Pleasures" dos Joy Division, Caroline comprova que os Kap Bambino são um dos projectos que mais se esforça em palco. Percorrendo-o de ponta a outra e apelando ao movimento efusivo entre o público à sua frente, as inevitáveis e constantes invasões de palco por parte do público geraram a tensão em que a sonoridade do projecto tão bem vive.
Como banda sonora de um sem fim de stage divings e crowd surfings, "Dead Lazers" e "New Breath" poderiam servir de resumo perfeito a uma actuação suada, de parte a parte, e saudavelmente caótica.
DANGER
O francês Franck Rivoire seria o último convidado internacional a subir ao palco. Debaixo da sua máscara e imagem de marca, Danger trouxe o seu mais recente EP "09/17 2007" ao Porto, na sua segunda passagem pelo país.
Num live act musculado, Danger seria responsável por uma actuação sólida e cativante. A sonoridade reflecte de forma directa a sua paixão pelos vídeojogos e pela década de 80, presente de forma constante nos visuais.
Até Caroline Martial aproveitou o live act do conterrâneo para se misturar entre um público já rendido ao universo de Danger. "4h30", apresentada sensivelmente à hora que dá título ao tema, e a sua remistura para "Divine" (Sébastien Tellier) mostraram-se, até, dois dos melhores momentos desta edição de Clash Club.
No início e final de noite esteve
Mr. Mitsuhirato.