Jul 29, 2010

Chromeo: Don't Turn the Lights On



O tema já é conhecido há algumas semanas, agora chega o vídeo de "Don't Turn the Lights On". O single prepara a chegada de "Business Casual", terceiro disco dos canadianos Chromeo - nas lojas a 14 de Setembro.

Jul 28, 2010

What DJ? - August mixtape



A poucos dias de Agosto, chega hoje a nova mixtape. Numa semana em que os termómetros se têm aproximado todos os dias dos 40º, os 88 minutos desta edição são uma viagem com momentos quentes e outros mais refrescantes, entre alguns dos destaques recentes orientados para as pistas de dança. Carreguem no play e desfrutem.



01. Ali Love - Love in Darkness
02. This is Head - 0011 (Kasper Bjørke version)
03. LexiconDon - December Sunset (U-Tern remix)
04. Pompeya - Inviters (Lipelis & Simple Symmetry remix)
05. Broad Bean Band - OkiDoki (Fish Go Deep remix)
06. We Have Band - Divisive (Golden Bug remix)
07. Two Door Cinema Club - What You Know (Cryptonites remix)
08. Prairie Cartel - Jump Like Chemicals (Only Children remix)
09. Visitor - Beating of the Drum (Diamond Cut reVox)
10. Cullen - Easily Impressed (Calling in Sick remix)
11. Gino Soccio - Dancer (Young Edits version)
12. Annie - Songs Remind Me of You (The Swiss & Donnie Sloan remix)
13. LCD Soundsystem - I Can Change (Stereogamous remix)
14. Miami Horror - Moon Theory (Sam La More remix)
15. Example - Kickstarts (Fenech-Soler remix)
16. Tesla Boy - Thinking Of You (Toomy Disco remix)
17. Michael Jackson - Off The Wall (Only Children club edit)


What DJ? no facebook & no myspace

Jul 26, 2010

Holy Ghost!: I Know, I Hear



É um dos temas que mais roda por cá desde Maio e "I Know, I Hear" ganhou agora vídeo. O tema faz parte do EP "Static on the Wire", trabalho que os Holy Ghost! trouxeram ao Alive!10. O vídeo contou com realização de Ben Fries e participação de Caroline Polachek.

Grum: Through the Night



"Hearbeats" do escocês Graeme Shepherd fez parte da lista de 12 discos para o Verão e hoje Grum volta ao pa lamber!. Desta vez o pretexto é o (hilariante) vídeo de "Through the Night", o novo single retirado do disco de estreia.

Jul 18, 2010

Marés Vivas 2010 - dia 3

Marés Vivas despede-se com lotação esgotada, numa noite em que o cartaz forte e coerente não deixava antever problemas. Contudo, os Editors deixam marca negativa na última noite, num festival que recebeu mais de 60 mil pessoas ao longo dos três dias.


reportagem FestivaisPT


No dia mais concorrido da edição deste ano, ao final da tarde já era nítida a maior afluência de público junto à Praia do Cabedelo. Com um público espanhol numa escala bastante visível (e audível), o Marés Vivas continua a demonstrar a capacidade de atrair público, apesar da sua dimensão mais pequena (ou então precisamente por isso, já que o preço dos bilhetes acompanha a tendência).

Pela tenda TMN Moche, e num final de tarde quente, João Só e Abandonados e Caim apresentaram-se perante um público nem a meio gás, com as restantes áreas do recinto bem mais preenchidas. Na outra ponta, o palco TMN começava a reunir à sua frente o público que iria deixar a área bem compacta com o passar das horas.


NIKOLAJ GRANDJEAN

Num evento a privilegiar o carácter familiar, e o público transversal, a presença do dinamarquês na abertura de noite ficou a dever-se a um dos seus temas servir de banda sonora numa telenovela com grande audiência no nosso país. Ainda assim, reuniram à sua frente uma quantidade de público muito semelhante à que os A Silent Film haviam conseguido na noite anterior.

Na bagagem veio o disco de estreia “Carrying Stars”, recentemente editado. Nervoso, o músico dá início ao concerto com uma "The First Picture" solitária, ainda sem a presença dos músicos que o acompanham. Já em "Island", tema sobre a sua mãe, Mikkel Lomborg e Christian Winther juntam-se a Nikolaj em palco. Trajados a rigor de negro, de fraque e cartola, Grandjean aproveitou para pedir ao público para os receber bem, já que um dos músicos achava que Portugal estava infestado de cobras - o que não ajudava na sua fobia.

Não só terá perdido essa ideia, como levará uma boa recordação para casa, com a actuação durante o pôr-do-sol sobre a foz do Douro a fascinar o trio vindo da Dinamarca. Com praticamente todos os temas bem recebidos entre o público, foi a meio da actuação que "Heroes and Saints" - o sucesso que os traria a Portugal - chegou. Com ele, o refrão cantado a meias entre público e palco, desafiando quem acharia que o tema ficava para o final.

Percorrendo o disco de uma forma quase exaustiva, apenas dois temas de “Carrying Stars” ficaram de fora, com "Love Rocks" a colocar um ponto final numa actuação bem recebida.


Alinhamento:

The First Picture
Island
Story to Story
Wake Up with Me
Heroes and Saints
Shift to Reverse
Rain Come
A Shadow
Lift Down
Love Rocks


dEUS

Com o estatuto de banda de culto no nosso país, patamar atingindo com as múltiplas passagens por palcos nacionais, os belgas não acusam os dois anos de “Vantage Point”, o último disco editado e que já serviu de pretexto para as últimas três passagens por Portugal (Paredes de Coura, Aula Magna e Teatro Sá da Bandeira). O quinteto liderado por Tom Barman foi o primeiro projecto belga a assinar por uma major internacional, mas permaneceram sempre de costas voltadas ao território mainstream.

Se parte do público guardava já os lugares mais próximos do palco para ver Ben Harper, os dEUS mostraram, ainda assim, que entre os vários milhares se encontrava um assinalável número de admiradores. Com meia dúzia de discos entre o repertório, seria com "Bad Timing", de "Pocket Revolution", que arrancariam a actuação.

- Olá Porto, como estais? Somos os dEUS, da Bélgica.

Com um português bem treinado Tom Barman dava o mote para "Instant Street". Recuando ainda mais, "Fell Off the Floor, Man" encontrava no público os aplausos a acompanhar o tema editado em 1996. Logo nos primeiros minutos da actuação surgia a sintonia e com ela dois temas do mais recente disco: "Slow" e "Smokers Reflect".

Sempre entre o passado e o mais recente disco, "Theme from Turnpike" recua no tempo; depois, a gingona "The Architect" e "Favourite Game" voltam ao presente. "If You Don't Get What You Want", "Little Arithmetics" e "Morticiachair" foram especialmente bem recebidos, antes dos dEUS deixarem a promessa de voltar em breve ao nosso país, para apresentar novo disco, editado em Fevereiro. E com o hino "Suds and Soda" terminam um concerto sólido que daria o mote para as tonalidades rock da restante noite.


Alinhamento:

Bad Timing
Instant Street
Fell off the Floor, Man
Slow
Smokers Reflect
Theme from Turnpike
The Architect
Favourite Game
If You Don't Get What You Want
Nothing Really Ends
Little Arithmetics
Morticiachair
Suds and Soda


EDITORS

Com uma larga legião de admiradores por cá, os Editors são presença constante em palcos nacionais nos últimos anos. Se todas as actuações até à data lhes haviam dado uma reputação consistente de bons concertos, a desta noite iria contrariar as previsões. Mas já lá vamos.

Formados em 2003, balançam agora o post-punk que conquistou o público com uma electrónica negra e densa, em que as guitarras perdem destaque. "In This Light and on This Evening", tema que dá nome ao novo disco, daria início a uma actuação em modo best of. Apresentada "An End Has a Start", os Editors atiram-se ao lado mais dançável do rock que os popularizou: "Bones" e "Bullets".

Com o público já conquistado, voltam de novo atenções para o novo disco, para apresentarem uma "Eat Raw Meat = Blood Drool" recebida com estranheza. Não reunindo consenso, a nova sonoridade dos britânicos ganha corpo ao vivo, mas é com "Blood" e "Munich" que as palmas e o movimento voltam. Já num ambiente de euforia controlada, "The Racing Rats" atinge o ponto alto de um concerto que entretanto se desmoronou.

Com Tom Smith nas teclas, ouvem-se os primeiros acordes de "Smokers Outside the Hospital Doors", com o tema a ser interrompido a meio. Se à primeira vista nada de grave parecia estar a acontecer, ao segundo falso arranque percebemos que algo está mal. No terceiro, Tom Smith manda a guitarra para o chão e abandona o palco, seguido pelos seus colegas. No ar ficavam teorias e dúvidas, sendo a principal o regresso, ou não, ao palco.

Durante 13 minutos, as luzes permaneceram acesas e à equipa técnica coube uma vistoria minuciosa do equipamento eléctrico num palco vazio e silencioso. Mas Smith voltou mesmo, lamentando o sucedido e explicando que tinha sofrido choques eléctricos. Retomando o alinhamento, mas não mais aproximando-se do teclado, "Bricks and Mortar" e "Papillon" colocaram o ponto final num concerto atribulado dos Editors.

Com Tom Smith a lamentar a falta de tempo e o concerto encurtado, de fora - relativamente ao alinhamento preparado - ficou "No Sound but the Wind" (e a própria "Smokers Outside the Hospital Doors") e, para o final, "Fingers in the Factories".


Alinhamento:

In This Light and on This Evening
An End Has a Start
Bones
Bullets
Eat Raw Meat = Blood Drool
Blood
Munich
The Racing Rats
Smokers Outside the Hospital Doors
Bricks and Mortar
Papillon


BEN HARPER & RELENTLESS7

Com o aproximar da 1h, horário previsto para o norte-americano subir ao palco, circular no recinto do Marés Vivas era um desafio. No dia com mais público, a capacidade para 25 mil pessoas do espaço parecia pouca para o mar de gente espraiado, mas compacto, na margem do Douro.

Com dez minutos de atraso, o californiano subiu ao palco com os seus Relentless7, para um concerto com quase mais uma hora do que o esperado. Em destaque viria "White Lies for Dark Times", mais recente disco que explora a sua veia virada para o rock n' roll.

Nome acarinhado pelo público português e conhecido pela fusão entre blues, soul, folk, reggae e r 'n b, Ben Harper sobe ao palco logo para apresentar um hit: "Diamonds on the Inside". Com os seus Innocent Criminals de lado, rapidamente passa para o novo disco gravado com os Relentless7 e ouve-se "Shimmer & Shine".

Agradecendo o convite da organização, especialmente pelo "fantástico lugar" em que o festival se realiza, mantém as atenções no disco "White Lies for Dark Times", com "Number with no Name". Numa actuação onde a duração dos temas se prolongou, entre solos de guitarra e autênticas jam sessions, o riff de "The National Anthem" (Radiohead) chegou mesmo a dar lugar à cover de "Billie Jean" (Michael Jackson), antes de recordar "Better Way".

"Feel Love", tema novo com ares de balada, serve de pretexto para Ben Harper falar do novo disco, com lançamento previsto para Março. Mas é ao disco que a actual digressão apresenta que o músico volta, para uma "Keep it Together (So I Can Fall Apart)" esticada em duração. "Up to You Now" ameaçaria o final de concerto, mas o público seria ainda brindado com dois encores.

No primeiro, sozinho em palco, "Power of the Gospel" e "Burn One Down" seriam apresentados em registo acústico, acompanhadas pelo coro de um público que não arredava pé. Para o segundo encore, e já com a banda em palco, ficariam "Amen Omen" e "Serve Your Soul", no final de 2h20 de um concerto aplaudido efusivamente no final.



Até ao nascer do sol, a animação passou para a tenda TMN Moche, com a noite Primeira Linha e DJ sets dos franceses Loo & Placido e Isidro Lisboa. Pelos três dias da edição deste ano do Marés Vivas passaram cerca de 65 mil pessoas.

Jul 17, 2010

Marés Vivas 2010 - dia 2

No segundo dia de Marés Vivas, um cartaz sólido provocou enchente junto à praia do Cabedelo. David Fonseca, Placebo e Peaches foram responsáveis por uma noite em crescendo, depois de 16 mil pessoas passarem pelo primeiro dia do festival.


reportagem FestivaisPT


A tarde arrancou atrasada no palco TMN Moche, com a "The Love Tour" de André Indiana e Mónica Ferraz a apresentar-se bem depois da hora que lhe era atribuída. Com uma tenda a meio gás, enquanto na outra ponta do recinto muitos guardavam já lugar junto das grades do palco TMN - e outros optavam pelas diversas actividades promovidas pelas marcas presentes -, houve rock com influências de funk e blues.

Depois deles, e com hora e meia de atraso, Os Azeitonas dividiram público - e parte do horário - com os britânicos que abriam o palco TMN, ao fundo. Ainda assim, larga foi a moldura humana a acolher os "fiéis depositários de um Nacional-Cançonetismo".


A SILENT FILM

Depois da tripla passagem pelo nosso país em Maio, os britânicos A Silent Film foram os primeiros a subir ao Palco TMN nesta segunda noite de Marés Vivas. Na bagagem veio ainda o disco de estreia, “The City That Sleeps”, e dois temas novos. Com um rock acompanhado por piano e comparações a Keane ou Coldplay, os A Silent Film mostraram-se já donos do reconhecimento do público, com uma actuação à nem sempre fácil hora de jantar.

Arrancando com "Feather White", o projecto que deve o nome à paixão pelo cinema mudo foi aproximando o público do palco. Fascinado pelo cenário natural e o pôr-do-sol à sua frente, Robert Stevenson afirma, em "Julie June", que são uns sortudos por tocar àquela hora - mais à frente iria repetir o elogio, afirmando que na sua Inglaterra não há locais assim - arrebatado pela visão do palco, com tanta gente à sua frente.

Depois de mostrar novo material ("The Stage Is Your Life" e "Your Potential"), Robert senta-se ao piano para aproveitar os últimos raios de sol sobre o rio e apresenta "Aurora", sozinho em palco. Para a recta final ficariam os temas mais orelhudos - e com melhor reacção junto do público - dos britânicos, com "You Will Leave a Mark" a colocar o ponto final a uma hora de concerto.


Alinhamento:

Feather White
Sleeping Pills
Julie June
The Stage Is Your Life
Your Potential
Aurora
Driven by Their Beating Hearts
Thirteen Times the Strength
Firefly in My Window
You Will Leave a Mark


DAVID FONSECA

Conhecido pelo esforço com que constrói actuações ao vivo para além do mero concerto, David Fonseca trouxe ao Marés Vivas todo o aparato com que presenteou os Coliseus há poucos meses. Já com os painéis de LEDs a colorir o palco, ouve-se "I Want to Break Free" (Queen). O público, distraído e a trautear o tema como qualquer outro durante as pausas entre concertos, nem deu por David Fonseca dentro da cabine telefónica. E assim arranca o concerto: "Walk Away When You're Winning".

Com o final dos Silence 4, o músico construiu uma sólida carreira a solo nestes últimos sete anos – atingindo o sucesso nas tabelas de venda, que tantas vezes fogem ao talento nacional. Com quatro discos entre o repertório, o mais recente “Between Waves” dividiria atenções com um conjunto alargado de temas elevados ao patamar de hit.

De volta à cabine, David apresenta a primeira cover vinda directamente da década que domina o seu imaginário: "Everybody's Got to Learn Sometime" (The Korgis) faz a ponte com "A Cry 4 Love", na ponta da língua de um público já em sintonia com o músico de Leiria. "Morning Tide" em ritmos tropicais e "Kiss Me, Oh Kiss Me" convencem os ainda não rendidos.

Campeão de airplay, "Someone That Cannot Love" - o single que estreou em 150 rádios, em simultâneo, há sete anos - e "Our Hearts Will Beat as One" demonstram a facilidade com que passa de baladas a territórios que apelam mais à dança. Recordando 1998, afirma: "the roof is on fire". E o público não demora a acompanhá-lo no clássico dos Bloodhound Gang.

A nova "Stop 4 a Minute" une-se, então, a "Superstars", antes de David Fonseca dedicar "Girls Just Wanna Have Fun" a todas as mulheres presentes na plateia, que o recordava o quão bom é tocar em festivais: um mar de gente à sua frente. Alegando que são elas quem melhor sabe se divertir, aproveita a cover de Cindy Lauper para lançar sobre o público confetis. Que não restassem dúvidas: o concerto desta noite era uma festa.

"The 80's" surge antes do instrumental de "Sabotage", clássico dos Beastie Boys que dá tempo a David trocar de roupa. Já em modo 'boxeur' - nem as luvas faltaram - afirma que a partir dessa altura seria o nosso DJ. De holofote na mão, parte para uma "This Raging Light" de sabor techno, com "Silent Void" a fechar com fogo de artifício um concerto imaculado.


Alinhamento:

Walk Away When You're Winning
Owner of Her Heart
Everybody's Got to Learn Sometime (The Korgis cover)
A Cry 4 Love
Morning Tide (I Just Can't Remember)
Kiss Me, Oh Kiss Me
Someone That Cannot Love
Our Hearts Will Beat as One
Fire Water Burn (Bloodhound Gang cover)
Stop 4 a Minute
Superstars
Girls Just Wanna Have Fun (Cindy Lauper cover)
The 80's
Sabotage (Beastie Boys cover)
This Raging Light
Silent Void


PLACEBO

Raras vezes os Placebo deixaram de marcar presença nos festivais de Verão portugueses e este ano não foi excepção. O pretexto continua a ser “Battle for the Sun”, disco que trouxeram à edição do ano passado do Alive, ainda fresquinho.

A banda de Brian Molko e Stefen Olsdal, agora com novo baterista na formação (Steve Forrest), desde cedo conseguiu criar seguidores fiéis em Portugal, mas foi com os dois últimos discos que conquistaram um público mais vasto. Com destaque no cartaz, os Placebo seriam os principais responsáveis pela enchente que o recinto do Marés Vivas hoje registou.

Logo no arranque, recordam o primeiro hit: "Nancy Boy". Numa actuação a destacar o mais recente disco, o público saudoso do passado dos Placebo foi brindado com algumas recordações entre um alinhamento, ainda assim, a olhar pouco para o passado. "Ashtray Heart" (o nome inicial do projecto, em 1994) e "Battle for the Sun" revelam que entre o público há duas facções: os novos seguidores, pós "Meds", e os antigos.

Se "Sleeping with Ghosts" e o seu "soulmates never die" (que deu título ao DVD ao vivo) na letra facilmente conquistam ambos, "Bionic" é recebida com menos entusiasmo pelos seguidores mais recentes - houve até que questionasse se era novo, não reconhecendo o tema do disco de estreia. São já 14 os anos que entretanto se passaram, tempo suficiente para que Molko apresentasse, mais à frente, "Teenage Angst" como um tema que tinha escrito há tanto tempo que já nem o sabia tocar - sentido de humor apenas, já que foi apresentado com nova roupagem - tratamento aplicado de uma forma transversal aos temas menos recentes.

"Every Me, Every You" e "Special Needs" piscam de novo o olho ao passado, antes dos Placebo voltarem a destacar o novo disco. "Breathe Underwater", "The Never-Ending Why" e "Bright Lights" surgem como um dos blocos recebidos com maior entusiasmo, antes de "Meds" recuperar o álbum homónimo.

Recordando Nirvana e "All Apologies", preparam a ameaça de final de concerto: "Song to Say Goodbye" e "The Bitter End. Com despedida adiada, os Placebo voltam ao palco para um encore muito aplaudido e dedicam metade do tempo ao disco de 2006, "Meds". De "Black Market Music", considerado por muitos o disco-basilar da carreira dos britânicos, fica apenas o final dos 90 minutos: "Taste in Men", voltando a unir os dois públicos de um concerto a ficar na memória de muitos.


Alinhamento:

Intro
Nancy Boy
Ashtray Heart
Battle for the Sun
Sleeping with Ghosts
Bionic
Every You, Every Me
Special Needs
Breathe Underwater
The Never-Ending Why
Bright Lights
Meds
Teenage Angst
All Apologies (Nirvana cover)
Song to Say Goodbye
The Bitter End

Encore:
Trigger Happy
Post Blue
Infra-Red
Taste in Men


PEACHES

Ainda que o espaço vazio tivesse aumentado consideravelmente, o recinto continuou composto para receber Peaches. Pouco era o público que parecia conhecer o trabalho da canadiana, mas o factor curiosidade manteve a moldura humana seguramente próxima da dezena de milhar.

Ao vermos Merril Nisker em palco dificilmente conseguimos acreditar que a canadiana, agora residente em Berlim, já foi professora do Ensino Primário. Com quatro discos e uma reputação de concertos incendiários, Peaches é um dos nomes de referência do electroclash no virar de milénio.

Num ano, o mais recente “I Feel Cream” trouxe-a três vezes ao nosso país, mas o álbum acusa ainda pouco desgaste. Com um arranque tão intenso que levou muitos a afastarem-se dos graves debitados pelo sistema de som, tal era a vibração causada nos corpos, a curiosidade ganhou raízes e Peaches arrancou uma actuação que muitos considerariam a surpresa da noite.

Apresenta "Mud" totalmente tapada, com um fato retalhado e ares de esfregona, mas em "Talk to Me" já se havia livrado de boa parte da roupa. Com trocas constantes de vestuário, a canadiana usa também essa arma como provocação entre o público. Com a sexualidade entre a temática dos temas e vincada no comportamento em palco, é neste universo provocador que Peaches se gosta de mover - e o público segue-a.

Em "Billionaire" trava um diálogo em versão rap com uma projecção, mas em "Take You On" já havia deixado o palco para optar pelo crowdsurfing sobre o público. E seria sobre ele que iria passear-se em "Show Stopper": Jesus caminhou sobre a água, Peaches caminha sobre o público. Por esta altura, a surpresa havia eliminado a curiosidade e poucos arredavam pé do palco TMN.

Entre dois temas novos ("Serpentine" e "More"), recupera "Shake Yer Dix", "Tombstone" e "Boys Wanna Be Her". A festa estava lançada e nem o champanhe falhou: "You Love It" é servida com direito a banho colectivo. Mesmo sem duche, Peaches regressa ao palco com uma toalha enrolada no cabelo - a do corpo seria utilizada como tela de projecção durante "Lose You", à semelhança do videoclipe. Toda a gente conhece a "slutty, sexy and disgusting Peaches", mas o tema, nas palavras da própria, serve para nos mostrar o seu lado mais sensível.

Numa sempre em crescendo "I Feel Cream", desvia atenções com uma luz intermitente para a zona púbica - não fosse o público esquecer-se da provocação constante. E houve ainda tempo para "Mommy Complex" e "Kick It", tema gravado com Iggy Pop onde o punk ganha músculo electrónico. Para o fim, ficariam dois temas do disco de estreia, editado há dez anos: "Fuck the Pain Away", com o público ainda a digerir a actuação com o acender de luzes, e "Set it Off" já em encore.

Conhecida a (saudável) rivalidade Lisboa/Porto, Peaches aproveita o momento para lançar o desafio: se aceitassem o seu pedido, iria eleger o público da Invicta "muito mais hardcore" do que o do Alive, onde actuou no passado Sábado. Daí a "shirts come off" passar de pedido a grito de guerra foi um instante e foi com centenas de t-shirts e derivados a esvoaçar no ar que Peaches abandonou o palco do Marés Vivas.


Alinhamento:

Intro
Mud
Talk to Me
Billionare
Take You On
Show Stopper
Serpentine
Shake Yer Dix
Tombstone
More
Boys Wanna Be Her
You Love It
Lose You
I Feel Cream
Mommy Complex
Kick It
Fuck the Pain Away

Encore:
Set it Off


Na tenda TMN Moche, a animação na restante noite esteve a cargo do Gare e dos DJs Cais 447.

Jul 16, 2010

Marés Vivas 2010 - dia 1

No arranque da oitava edição, o Festival Marés Vivas comprova o carácter familiar do evento, com um público transversal junto à praia do Cabedelo. Nem a chuva deixou de marcar presença numa noite onde os portuenses GNR se destacaram como cabeças de cartaz.


reportagem FestivaisPT


Seria num renovado palco secundário que os primeiros concertos teriam lugar: Lobo e Dr1ve abriram a edição deste ano do Festival Marés Vivas, em Vila Nova de Gaia. Com um percurso ascendente e a afirmar-se no panorama dos festivais de Verão, o evento recebe agora o patrocínio da operadora móvel que dá nome aos dois palcos. Convertido em tenda, é no palco TMN Moche que se pode assistir aos concertos de novos talentos durante o pôr do sol – transformando-se em pista de dança de madrugada.


MORCHEEBA

Na outra ponta do recinto, seriam os Morcheeba os primeiros a subir ao palco TMN. Com a vocalista Sky Edwards de volta à formação do projecto – após uma curta carreira a solo, de sucesso reduzido -, os britânicos trouxeram a sua mistura de pop/rock, trip-hop, r 'n  b e reggae às margens do Douro.

Arrancando com "Moog Island" (do disco de estreia "Who Can You Trust?"), a actuação de cerca de uma hora iria destacar os sucessos do passado, sendo poucos os temas apresentados de "Blood Like Lemonade", o novo disco dos britânicos.

Entre o toque reggae de "Friction" ou o hit "Otherwise", a sonoridade downtempo dos Morcheeba acabaria por instalar uma postura contemplativa. Skye, com vestido vermelho e voz adocicada, conduz, então, o público: leva-o a virar-se ao contrário apenas para observar o reflexo da lua na água e coordena coros - ora masculinos, ora femininos.

Pelo meio, apresenta as novas "Even Tough", "Blood Like Lemonade" e "Beat of the Drum" - mas é a "The Sea", "Trigger Hippie" e "Blindfold" que o público mais responde. Já em encore, e depois de arriscar o refrão de "Single Ladies" (Beyoncé), Skye despede-se com dois dos maiores sucessos de 15 anos de carreira dos Morcheeba: "Be Yourself" e "Rome Wasn't Built in a Day".

Actuação morna do projecto dos irmãos Paul e Ross Godfrey, que em muito iria influenciar a prestação de outro projecto britânico em palco.


Alinhamento:

Moog Island
Friction
Never an Easy Way
Otherwise
Even Tough
The Sea
Blood Like Lemonade
Crimson
Trigger Hippie
Beat of the Drum
Blindfold

Encore:
Be Yourself
From Russia With Love
Rome Wasn't Build in a Day


GOLDFRAPP

Dupla britânica formada em Londres por Alison Goldfrapp e Will Gregory, os Goldfrapp trouxeram esta noite às margens do Douro o novo álbum, "Head First". Com uma sonoridade mutante - da electrónica minimal ao glam rock, do electroclash à folk -, com este último disco recuperam o gosto pelas pistas de dança, num trabalho inspirado pela pop electrónica da década de 80.

Apesar da actuação privilegiar os temas mais dançáveis da discografia, poucos foram os momentos em que o público se soltou. Sempre em crescendo, o concerto arrancaria com a nova "Voicething" e Alison Goldfrapp ausente do palco. Seria em "Crystalline Green" que o centro de todas as atenções se apresentaria sob vestido preto brilhante – e esvoaçante, graças às ventoinhas na sua frente.

Com 44 anos, Alison comprova o destaque entre as vozes pop e com a nova "Dreaming" facilmente acreditamos que a década de 80 não está assim tão longe. Com "Number 1" a falhar no convite à dança generalizada entre o público, chega o primeiro pedido da vocalista para se mexerem. As novas "Believer" e "Alive" conquistam, mas seria o single de apresentação do novo disco, "Rocket", o mais bem recebido.

"Shiny and Warm", que em disco pouco provoca, ao vivo ganha novos contornos – mas Alison vê-se forçada a repetir o pedido "nesta é para se mexerem mais!". Chega então "Train" e "Ride a White Horse", com o cenário a compôr-se numa plateia estranhamente apática ao longo de toda a actuação. No fim, e sem direito a encore, chegaria efectivamente a dança: "Ooh La La" e "Strict Machine".

Recebidos de uma forma fria, numa área geográfica com reputação de bem receber bandas, os Goldfrapp assinaram um bom concerto perante um público que dificilmente seria o deles. Os britânicos chegaram a anunciar no myspace oficial um concerto no Coliseu dos Recreios a 22 de Setembro (informação que entretanto retiraram), resta esperar pelo regresso em breve e em nome próprio.


Alinhamento:

Voicething
Crystalline Green
U Never Know
Dreaming
Number 1
Believer
Alive
Rocket
Shiny and Warm
Train
Ride a White Horse
Ooh La La
Strict Machine (We Are Glitter version)


GNR

Editaram "Rock in Rio Douro" em 1992 e esta noite, nas suas margens, os GNR foram elevados à posição de cabeça de cartaz da primeira noite de Marés Vivas. Também com novo disco, "Retropolitana", que quebra os oito anos fora de estúdio ("Do Outro Lado dos Cisnes" foi editado em 2002), os portuenses souberam justificar o destaque perante um público que cresceu acompanhado pelos seus temas.

A nova "Reis do Roque" abre um concerto dividido entre o mais recente disco e os clássicos de uma carreira com quase 30 anos. "Sub-16", "Efectivamente" e "Morte ao Sul" revelam as letras na ponta da língua e um baixista irrequieto. Depois de subir para a estrutura lateral do próprio palco, Jorge Romão puxa pelas palmas do público ao som dos primeiros acordes da incontornável "Dunas".

A partir daí, o concerto ganhou sabor a consagração de um projecto acarinhado entre as duas cidades que o Douro une (como Rui Reininho as haveria de descrever mais à frente). "Asas Eléctricas" é, então, dedicada a Pauleta - graças ao concerto de amanhã, em S. Miguel - e "Únika" traz consigo as primeiras gotas de água.

"Pronúncia do Norte", debaixo de chuva ligeira e com o rio a espraiar-se ao lado, é recebida entre sorrisos, intensificados com a imitação de Adolfo Lúxuria Canibal (vocalista dos Mão Morta) no início de "Popless". Anfitrião com gosto pelo humor em palco, Rui Reininho aproveitou para fazer rimar o "lá vem ela sabendo que é boa" com "foi ver os Pearl Jam a Lisboa" - e já em encore, ficaria "orvalhadas" e o "Pedro Abrunhosa a cair das escadas".

É em casa que a banda se sente e o público faz com eles a festa ao som da nova "Tatus Tus", com "Quero Que Vá Tudo Pró Inferno" a ameaçar o final de concerto. Entre dois regressos ao palco, houve ainda tempo para três hits do pop-rock em português: "Sexta-Feira", "+ Vale Nunca" e "Sangue Oculto".


Alinhamento:

Reis do Roque
Sub-16
Clube dos Encalhados
Efectivamente
Outra X
Morte ao Sul
Dunas
Asas Eléctricas
Únika
Pulseira Electrónica
Pronúncia do Norte
USA
Popless
Tatus Tus
Quero Que Vá Tudo Pró Inferno

Encore 1:
Burro em Pé
Sexta-Feira

Encore 2:
+ Vale Nunca
Sangue Oculto


EDWARD MAYA

Já em horário after-hours, a animação passou para a outra ponta do recinto, com o produtor Eduard Marian na tenda TMN Moche. O jovem romeno atingiu o sucesso logo com o primeiro single, “Stereo Love”, e esta noite apresentar-se-ia numa fusão de DJ set com live act, com baixo e acordeão.

"With or Without You" (U2), "I Gotta Feeling" (Black Eyed Peas) ou "Seven Nation Army" (The White Stripes) também se fariam ouvir no início do live-act, com a restante animação da noite a cargo dos Bitch Boys.

Jul 13, 2010

Computers Want Me Dead: In Your Blood



Vêm da Nova Zelândia, são uma jovem dupla e praticam uma pop electrónica com ingredientes 8bit. Os Computers Want Me Dead fazem deste novo single "In Your Blood" cartão de visita para atravessar fronteiras e conquistar mais público. Está à venda no iTunes e o vídeo, realizado por Simon Ward, pode ser visto aqui:

Jul 12, 2010

Dids // Forecasting Disco Vol.II



Segunda edição do dancefloor a cargo de Dids, que faz do disco nas suas várias vertentes pólvora para incendiar pistas. Se perderam a primeira mixtape, passem por aqui e não deixem de o seguir via facebook.

12 discos para o Verão - 2ª parte

Depois de conhecida a primeira parte da lista, ficam agora os últimos seis discos que servem de banda sonora perfeita aos vossos dias de Verão. Estes seis são de certo mais familiares, caso esteja enganado podem sempre se redimir e conhecê-los.


CEO - White Magic

O álbum mais fresquinho toda a lista, apenas há alguns dias nas lojas. Novo projecto de Eric Berglund (The Tough Alliance), com um electropop viciante editado pela respeitada Modular (casa de Chromeo, Cut Copy, The Presets ou Klaxons).




Four Tet - There Is Love in You

É já o quinto disco de Kieran Hebden, que se dedica a uma electrónica experimental com ingredientes do hip-hop, jazz, techno ou folk. Dentro desta sonoridade, rouba o lugar na lista a Caribou e Pantha du Prince (que só não entram por ter já uma divulgação acentuada - e merecida).




Grum - Heartbeats

Já foram apresentados discos para vos aquecer antes da festa e para vos acompanhar no regresso a casa. Este é para durante. Disco de estreia do escocês Graeme Shepherd, jovem que tem dado nas vistas com remisturas que se colam às pistas de dança como pastilha elástica aos sapatos. Se acham que dos anos 80 só vêm hits manhosos, conheçam o trabalho deste jovem.




Tesla Boy - Modern Thrills

Mantendo a década de 80 em pano de fundo, vamos até à Rússia para conhecer o disco de estreia deste trio. Pop electrónica viciante, como melhor exemplo de uma sonoridade com muitos seguidores em terras outrora soviéticas. Estejam muito atentos a estes rapazes.




To My Boy - The Habitable Zone

Morto o fenómeno new rave, os To My Boy seguiram neste segundo disco os passos dos Shy Child e recuperam os anos 80. Descaradamente. O duo nunca obteve o reconhecimento merecido e não será ainda com este disco que o cenário se altera drasticamente, mas assenta que nem uma luva nos dias mais quentes.




Villa Nah - Origin

Estiveram na 5ª feira passada no Optimus Alive, mas poucos deram por eles no meio de uma noite dedicada à Turbo Recordings de Tiga. Os finlandeses Villa Nah também são uma dupla e a década que os influenciou continua a ser a de 80. Com produção de Jori Hulkkonnen (com quem já haviam colaborado no último disco, com um tema viciante e hipnótico), apresentam um álbum de estreia em que só a crítica parece ter reparado. Darem-se ao trabalho de lançar um vídeo talvez não fosse má ideia...

Them:Youth: Fever Rising



Vindos da região de Londres, os Them:Youth são um quarteto que mistura o garage rock com os ritmos dançáveis. "Fever Rising" é o single que agora os apresenta ao mundo, com data de lançamento apontada para 16 de Agosto através da editora que entretanto fundaram: a Big Hand Recordings. Fiquem com o vídeo, o download gratuito do tema pode ser feito através do myspace oficial.

Jul 10, 2010

12 discos para o Verão - 1ª parte

Com o posto de escuta a sofrer uma pausa brusca e longa, resolvi contornar a falha com uma lista de 12 discos para vos acompanhar nas férias. Não é (de forma alguma) um best of, são apenas sugestões de álbuns mais ou menos alheados de hypes e apropriados ao ritmo de férias. Aqui ficam os primeiros seis:


Bonobo - Black Sands

Quarto disco do britânico Simon Green, com uma sonoridade downtempo e influências directas do cinema francês da década de 60. Ideal para o pós-festa.




Casiokids - Topp Stemning På Lokal Bar

Se não fizerem questão de perceber minimamente o que estão a ouvir, o álbum destes noruegueses é obrigatório. Sucede-se ao disco de estreia ("Fuck MIDI!", de 2006) e é ainda mais bem disposto do que o rosa-choque usado como fundo no myspace.




Ginger Ninja - Wicked Map

São um quarteto vindo da Dinamarca e, na boa tradição deste país, apresentam uma sonoridade de fusão entre rock e electrónica. "Wicked Map" é o álbum de estreia e uma boa companhia, por vezes até dançável.




James Yuill - Movement in a Storm

Disco de estreia do britânico que mistura o songwriting com batidas dançáveis. Com rótulo folktrónica, a música de Yuill é a banda sonora perfeita para o regresso a casa após um dia de praia.




jj - jj n° 3

Com um ritmo afincado, os suecos demoraram pouco mais de um ano a lançar dois discos (não se deixem enganar pela numeração, o nº 1 corresponde ao single de estreia). Pop melancólica, mas nada fria e em ritmo balearic. Uns pontos abaixo do disco de estreia, mas a merecer a vossa atenção.

(não há link já que o projecto não tem myspace ou site oficial - e desconheço a existência de vídeos)


Surfer Blood - Astro Coast

Vêm da Florida e no ano passado conquistaram a Pitchfork com o single de estreia, "Swim". Com este longa-duração conseguiram manter a boa impressão junto da crítica especializada. Para quem gosta de guitarras, disco a não perder.




> 2ª parte aqui

Jul 9, 2010

Clash Club 8 de Julho

Na última edição de Clash Club antes da pausa para férias, The Bloody Beetroots viram do avesso um Teatro Sá da Bandeira com temperatura no vermelho.


reportagem FestivaisPT


Pela primeira vez à semana, por questões de agenda dos convidados internacionais, o Clash Club voltou esta noite a levar muito público ao Teatro Sá da Bandeira. Com um horário menos tardio face ao habitual do evento, por volta da meia-noite o cenário dificilmente faria adivinhar a enchente repentina. Nos pratos, Cpt. Luvlace defrontava um público a optar por se sentar à medida que ia chegando, com a pista despida à sua frente.


CRISIS

Logo no arranque do concerto, o trio vindo do Porto mostrou vontade de contrariar a apatia na sala, fazendo votos de que o público se divertisse tanto quanto eles iriam fazer no palco. Palco a que regressaram esta noite, após a estreia na edição de aniversário do Clash Club, já com um prémio arrecadado entretanto (o Levi's Unfamous Music Award).

Com uma sonoridade de fusão (punk, metal, electroclash), conseguiram convencer de uma forma progressiva o público, a início desconfiado perante temas como "Out in the Twilight" ou "Covens". Mas foi com a cover de "Crystalised", com os The XX a actuar em Lisboa poucas horas antes, que o público se aproximou mais do palco, local onde os Crisis começam a amadurecer e a descolar-se das comparações a Crystal Castles ou Kap Bambino.


THE BLOODY BEETROOTS DEATH CREW 77

Enquanto dupla de DJs, precisaram apenas de dois anos para deixar o underground e atingir o mainstream, onde também Justice e Boys Noize agora se movimentam. Com esta Death Crew 77, tomaram de assalto um conjunto assinalável de salas europeias e a digressão dos últimos meses, acompanhada de uma identidade visual forte, eleva os Bloody Beetroots a um novo patamar.

Não há painéis de LEDs dignos de meter respeito, nem pirâmides ou capacetes. É num palco despido, apenas com o nome do projecto a servir de pano de fundo, que se apresentam, concentrando todas as atenções na música. E se as máscaras escondem o rosto, o talento enquanto músicos dificilmente nos escapa.

Sir Bob Cornelius Rifo é o cérebro do projecto, com Tommy Tea na posição secundária. Enquanto banda a formação alarga-se, mas a máscara em que todas as atenções se concentram ocupa lugar destacado em palco. Com uma sonoridade ácida e influências diversas (ao vivo o punk ganha um vinco claro), os Bloody Beetroots fazem parte do catálogo da Dim Mak - editora de Steve Aoki, com quem gravaram o tema que os lançaria para a ribalta: "Warp".

No arranque, "Domino" foi recebida por uma sala já cheia, com a plateia a receber o "Destroy" como ordem a seguir desde logo. Com o público já aos saltos - nota dominante por toda a sala ao longo dos cerca de 75 minutos de actuação - trazem a primeira remistura ao palco: "Escape" (The Toxic Avenger). "Second Lives" (Vitalic) e "Welcome" (Etienne de Crécy) foram outros bons representantes da remisturas assinadas pelos Bloody Beetroots, ganhando músculo na apresentação ao vivo.

E logo na primeira parte do concerto, surge o "woop, woop" que todos esperavam. "Warp" é ás de trunfo, mas os italianos não receiam usá-lo antes do tempo. O público, já em extâse e parcialmente sem t-shirt, adopta então o crowdsurfing - não só na frente de palco, mas também no fundo da sala.

"Cornelius", já mais perto do final, revela-se um dos melhores momentos, com o público a fazer ecoar entre as paredes do Sá da Bandeira um "oh" que se assemelha a grito de guerra tribal. Estava perto a ameaça de despedida, apenas adiada pelo curto encore. Um concerto vivido de forma tão intensa pelo público, com a ausência de grades a potenciar a energia na plateia, apenas podia ter terminado de uma forma: invasão de palco e o contacto de perto com os italianos.

No acender das luzes, ficava um "Bloody" repetido por um público suado e visivelmente satisfeito com a actuação desta tripulação da morte. Mais logo, é a vez do Palco Super Bock do Optimus Alive contar com os Bloody Beetroots, com a presença de Steve Aoki logo a seguir a deixar no ar a possibilidade de existirem surpresas.


DOUBLE DAMAGE

Também não dispensando as máscaras, a dupla ficou encarregue de prolongar a festa. Com uma sala ligeiramente mais vazia, arrancam logo com o refrão de "I Gotta a Feeling" (Black Eyed Peas), perante um público confuso com o que estava a ouvir. Porém, as duas caveiras têm por hábito começar os sets com um "ódiozinho de estimação" e fazer disso um ritual: retiram o vinil e pegam-lhe fogo.

É com "Motor, de SebastiAn, que arrancam verdadeiramente o seu set. Entre o alinhamento, várias presenças naquela mesma sala ao longo dos últimos meses: Boys Noize, Les Petits Pilous, autoKratz ou The Subs. Mantendo a sala composta com o passar das horas, os Double Damage fecharam esta temporada de Clash Club, com os eventos a voltarem já em Setembro.

Jul 7, 2010

David E. Sugar: Party Killer



Depois de se estrear nas pistas de dança em 2007 com "To Yourself", o britânico David E. Sugar aproveita o Verão para lançar novo single. "Party Killer" chega às lojas a 16 de Agosto, com remisturas de Disco of Doom, The Phenomenal Handclap Band, Renaissance Man e Adam Smith.

Enquanto o álbum de estreia não chega (a data prevista aponta para Outubro), fiquem com o vídeo:

Jul 3, 2010

Clash Club 2 de Julho

Midnight Juggernauts e SebastiAn no destaque de uma edição em pleno Verão do Clash Club, num Teatro Sá da Bandeira quente com a plateia a meio gás.


reportagem FestivaisPT


Com os mais recentes eventos na cidade a sofrer uma redução de público acentuada, propiciada pela actual conjuntura económica, esta noite contrastou com a primeira passagem do francês SebastiAn pelo Teatro Sá da Bandeira, em Janeiro do ano passado e na edição de estreia dos eventos que entretanto se consolidaram como um dos mais fortes no que à música electrónica diz respeito. Com a sala apenas na metade da lotação, a noite seria, ainda assim, de festa.


MIDNIGHT JUGGERNAUTS

Mantendo a aposta crescente nos concertos, o Clash Club trouxe ao Porto os australianos Midnight Juggernauts, que ontem iniciaram a nova digressão europeia no Lux, em Lisboa. Vindo de Melbourne, o trio composto por Vincent Vendetta (voz/teclas), Andy Juggernaut (baixo/voz) e Daniel Stricker (bateria) trouxe esta noite à Invicta o novo "The Crystal Axis".

Os Midnight Juggernauts deram-se a conhecer em 2007 com “Dystopia”, disco de estreia bem recebido junto de público e crítica. Com influências vindas de Kraftwerk ou Giorgio Moroder, não é fácil catalogar uma sonoridade que vai da pop electrónica dos anos 80 ao território psicadélico da de 60. Ainda assim, em digressão, partilharam palcos com Justice, Klaxons, Crystal Castles ou Rage Against the Machine.

No concerto desta noite, um alinhamento equilibrado dividiu atenções entre os dois discos, ainda que o público recebesse de uma forma mais calorosa os temas do álbum de estreia. "Shadows", "Tombstone", "Road to Discovery" e "Into the Galaxy" foram os momentos que mais convidaram à dança, com os mais recentes "Vital Signs" ou "This New Technology" num registo mais contemplativo e a explorar um lado mais psicadélico desde sempre presente na sonoridade do projecto.

Numa actuação sólida perante uma plateia cada vez mais composta com a aproximação ao horário de SebastiAn, o encore ficou em falta, mas os Midnight Juggernauts deixaram uma clara impressão positiva entre o público.


Alinhamento

Winds of Fortune
Shadows
So Many Frequencies
Vital Signs
Tombstone
Cannibal Freeway
This New Technology
Road to Recovery
Into the Galaxy
Lara versus the Savage Pack


SEBASTIAN

Em ano e meio de Clash Club, e entre o público transversal às já muitas edições, há um nome acarinhado por todos: SebastiAn. O francês, destaque na editora Ed Banger, fez da noite de hoje hipótese para compensar o público pelo cancelamento em Abril, por motivos de saúde e já muito próximo da hora da sua actuação.

Sebastian Akchoté arrancou o seu set às 4h, de uma forma branda e em jeito de adaptação à sala que tinha deixado do avesso no ano passado. Já com o volume no único sítio possível (o vermelho), SebastiAn rapidamente mostrou ao que vinha: Mr. Oizo, Daft Punk e Boys Noize servidos em registo mash-up de uma forma progressiva trataram de acender o rastilho num público pronto para a festa.

Os argumentos podem já não ser novos ou imprevisíveis, mas mostram-se válidos: "Stress" (Justice) e "Wake Up" (Les Petits Pilous) unem-se entre a distorção que caracteriza a sua sonoridade, perante uma sala já convencida do mérito de SebastiAn. Mais próximo do público - com invasões de palco, entre brindes e pedidos de músicas -, o francês não deixou de lado o rock com que conquista uma fatia de mercado nem sempre adepta do electro mais maximal: "Conquest" (The White Stripes) ou "Reptilia" (The Strokes).

Para a recta final ficaria a sua remistura de "Cheap and Cheerful" (The Kills) e uma nova roupagem da sua versão de "Killing in the Name of" (Rage Against the Machine), com a estranheza dos violinos no lugar da distorção. Mas o momento verdadeiramente desconcertante da noite ficaria para os derradeiros minutos: "All I Want for Christmas Is You" (Mariah Carey), colocando o ponto final num set que deixou muitas vezes o público aos saltos e não apenas em ritmo de dança.


No início de noite esteve o electro da dupla Le Rockeur Digitable, com o techno de Sininho a manter os resistentes na pista de dança do Teatro Sá da Bandeira já depois do amanhecer.


A próxima edição do Clash Club, e também a última antes da pausa para férias, é já na próxima 5ª feira, dia 8, e conta com os The Bloody Beetroots como destaque.

Jul 1, 2010

Zebra and Snake: Big Bad Drummer



As probabilidades de já se terem cruzado com esta dupla finlandesa são algumas, mas de certo não lhe prestaram a devida atenção. Os Zebra and Snake assinaram já remisturas para Le Corps Mince de Françoise ou The Good Natured, sendo que o tema destes últimos faz parte da mais recente compilação da editora francesa Kitsuné.

Agora chega "Big Bad Drummer", com o vídeo realizado por Juho R.A. Lähdesmäki e acompanhado de remisturas de Helsinki 78-82, MoiMoiMoi e Ahopelto. O tema faz parte do EP "Nightime", nas lojas desde a semana passada [iTunes].

What DJ? - July Mixtape



Depois de uma pausa prolongada, as mixtapes gravadas pelo DJ "cá da casa" estão de volta. Enquanto What DJ?, apresento neste primeiro dia do mês a July Mixtape, com a sonoridade já habitual e uma inclinação mais veraneante e clubber. Esta edição foi feita especialmente para o Monsta Sounds, blog já presente aqui na barra lateral e cuja visita é sempre recomendada. Desfrutem.



01 | Minitel Rose - Stay
02 | Moullinex - Superman (Munk & Rhodion remix)
03 | Voltage - All Night (Azari & III remix)
04 | Magistrates - Gold Lover (Grum remix)
05 | The 2 Bears - Be Strong
06 | Ka So Re - Bunnies (Helsinki 78-82 remix)
07 | Phonat - Love Hits the Fan (DCUP remix)
08 | Classixx - I'll Get You (Cassian's I'll Get Yeww! remix)
09 | Mecanico - Fanatic (Moonchild remix)
10 | DCUP - Style (Rainbows of Death remix)
11 | James Yuill - On Your Own (Disco of Doom remix)
12 | The Chemical Brothers - Horse Power
13 | Duck Sauce - Barbara Streisand (O-God remix)
14 | Deadbots - Much Better (SymbolOne remix)


What DJ? no facebook & no myspace