Nov 29, 2010

David E. Sugar - Flea Market



Três anos depois de "To Yourself" invadir as pistas de dança mais alternativas, chega finalmente o disco de estreia do britânico David E. Sugar. "Memory Store" está nas lojas há alguns dias e este "Flea Market" é o segundo single extraído deste disco. Recordem aqui "Party Killer".

Nov 22, 2010

Shit Robot - From the Cradle to the Rave



Antes do dj set na última edição do Clash Club, lancei o desafio na página do meu alter-ego What DJ?, no facebook, para escolherem a música de abertura da noite. Das duas hipóteses - "I Got a Feeling" (Shit Robot) e "Dance Yrself Clean" (LCD Soundsystem) -, a primeira sairia vencedora, provando que o álbum de estreia do irlandês Marcus Lambkin tem sido muito bem recebido entre o público.

Com uma sólida e longa carreira enquanto DJ, em Nova Iorque, em 2004 Marcus viu o seu caminho cruzar-se definitivamente com o de James Murphy - nascendo, então, o projecto a solo Shit Robot, após festas conjuntas. Já sob a nova identidade, em quatro anos lançou quatro singles com diferentes abordagens pela DFA Records: do deep house ao electro, do techno com raíz em Detroit às sonoridades rave mais old school.

Ainda assim, permaneceu discreto - até na recente passagem por palcos nacionais, na última edição do Alive. Em Setembro, chegou o álbum de estreia: "From the Cradle to the Rave", reunindo colaborações diversas: Alexis Taylor (Hot Chip), James Murphy (LCD Soundsystem) e Nancy Whang (LDC Soundsystem / Juan MacLean), entre outros. E com ele uma mudança neste cenário de quase anonimato, graças a um conjunto de temas fortes apresentados neste primeiro trabalho.



Dificilmente irá constar nas listas de melhores do ano, mas "From the Cradle to the Rave" é um disco absolutamente incontornável na música electrónica de 2010. Nas melhores pistas, marca já presença vincada, com um toque retro a que, no mínimo, poucos bateres de pé conseguem resistir. Cá em casa, está em repeat. Há várias semanas.




a ouvir: Tuff Enuff, Losing My Patience, Take 'em Up, I Got a Feeling

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Nov 17, 2010

What DJ? no Clash Club de Novembro


Fica feito o convite para no próximo Sábado, dia 20, aparecerem no Teatro Sá da Bandeira, para nova edição de Clash Club. Além das presenças de Sound of Stereo, Gtronic e GE:EK na sala, a zona do bar irá contar com a minha presença (enquanto What DJ?) e a de Mister Teaser.

Em venda antecipada, os bilhetes custam apenas 10€ (13€ no dia) e bem cedinho, logo a partir da meia-noite, podem contar com uma boa selecção de música.


See you there!
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Nov 12, 2010

Vampire Weekend no Coliseu do Porto

Os nova-iorquinos Vampire Weekend voltaram ontem à cidade que recebeu a sua estreia em Portugal. Dois anos depois do concerto na Casa da Música, um Coliseu do Porto muito bem composto foi palco de uma festa com sabor a Verão, em plena noite de S. Martinho.


reportagem FestivaisPT
fotógrafo: Marco Eira

Projecto nascido durante o percurso académico do quarteto, os Vampire Weekend começaram a criar burburinho à volta das suas actuações em 2006, com a world wide web a permitir que o passa-a-palavra ultrapassasse fronteiras. No ano seguinte, e já na estrada, lançam o primeiro EP: "The Mansard Roof". Com um bom conjunto de canções, estava criado o hype com que o disco de estreia foi recebido, logo no início de 2008. Com um indie rock influenciado pela boa disposição do afro beat, rapidamente conquistam o público. Ainda nesse ano, esgotam uma edição de Clubbing na Casa da Música, na sua estreia em palcos nacionais, com um concerto arrebatador.



Ainda que a lotação não tenha esgotado, o público deixou pouco espaço vazio entre a plateia e zona das tribunas. No início da digressão europeia e nos seus primeiros concertos em nome próprio no nosso país, após as actuações no festival Alive!08 e Super Bock Super Rock 2010, os Vampire Weekend são claramente um fenómeno de popularidade, com uma capacidade de conquistar de uma forma transversal o público - heterogéneo o suficiente para entre a sala se encontrarem várias famílias.



Com as cores da bandeira nacional num dos amplificadores, Ezra Koenig, Chris Bajo, Rostam Batmanglij e Chris Tomson sobem ao palco em cima das 22h15 perante uma ovação que dispensou os primeiros acordes. Do mais recente "Contra", apresentam então "Holiday" e "White Sky", já num clima de euforia controlada. E se o Coliseu parecia já rendido, "Cape Cod Kwassa Kwassa" trouxe novos argumentos ao ambiente festivo já generalizado.

"I Stand Corrected" abrandou, então, o ritmo, antes da contagiante "M79" voltar a reclamar o bater de pés. Verdadeiros mestres da simplicidade, é dessa forma que apresentam o tema, afirmando o que parece óbvio ao assistir a uma actuação do quarteto: aqui não há lugar a grandes complexidades e é precisamente por serem tão simples e directos que são eficazes. Se "Taxi Cab" e "Run" permitiriam recuperar o fôlego, "Cousins e "A-Punk" tornariam a dança imperativa entre a assistência.

Já com o público arrebatado, houve espaço à interacção de "One (Blake's Got a New Face)" e ao ritmo mais tropical de "Diplomat's Son". Apresentada de uma forma solene, os Vampire Weekend escolheram o Porto para estrear "I Think Ur a Contra" em palcos nacionais, naquele que foi o momento mais sereno de toda a actuação. Com a bateria de Chris Tomson novamente vincada, chega "Giving Up the Gun" e a ameaça de despedida com "Campus" e "Oxford Comma", servidas sem pausa e interligadas.



Com uma ovação impressionante e múltiplos "Vampire Weekend" a ecoar entre as paredes do Coliseu, chega um encore curto e eficaz - à semelhança de toda a actuação. "Horchata" terá recebido o melhor coro da noite, antes dos últimos minutos de celebração: "Mansard Roof" e "Walcott". A chuva ligeira no exterior contrastava com um ambiente a evocar as melhores memórias do Verão, a que a boa disposição das canções dos Vampire Weekend servem de banda sonora perfeita. De facto, assim parece fácil.



Alinhamento:

Holiday
White Sky
Cape Cod Kwassa Kwassa
I Stand Corrected
M79
Bryn
Cousins
Taxi Cab
Run
A-Punk
One (Blake's Got a New Face)
Diplomat's Son
I Think Ur a Contra
Giving Up the Gun
Campus
Oxford Comma

Encore:
Horchata
Mansard Roof
Walcott


Na primeira parte esteve o quarteto Jenny and Johnny, projecto vindo da California e convidado para a digressão europeia dos Vampire Weekend. Em cerca de 30 minutos, pouco mais fizeram do que entreter um Coliseu progressivamente composto, com um rock cinzento e uma apatia generalizada. Ainda assim, "Big Wave" e "Animal" receberam uma atenção moderada, partilhada com dedicatórias "ao público que não bebe" - enquanto muitos optavam pelo oposto na zona dos bares.

Nov 10, 2010

BRMC no Hard Club

Sob o pretexto de "Beat the Devil's Tattoo", os Black Rebel Motorcycle Club apresentaram-se esta noite na sala 1 do Hard Club, na segunda data deste regresso a palcos nacionais. Numa actuação com cerca de duas horas, e a centrar-se neste sexto álbum, o muito público presente na plateia seria brindado com um bom resumo da discografia dos norte-americanos.


reportagem FestivaisPT
fotógrafo: Marco Eira


Formados em 1998, em São Francisco, os Black Rebel Motorcycle Club misturaram influências do shoegaze e nomes como The Jesus and Mary Chain, The Stone Roses ou My Bloody Valentine para apresentar um garage rock com ingredientes diversos: blues, folk ou mesmo gospel. Começaram por se chamar The Elements, mas rapidamente deixaram de lado esse título para adoptar o actual, inspirado no gang de Marlon Brando em "The Wild One".



Um ano depois, e já em Los Angeles, apresentavam a sua demo - e até Noel Gallagher (Oasis) se mostrou interessado em adicionar os BRMC à sua Brother Records. Com contrato assinado com uma major (Virgin Records), chega o primeiro trabalho, homónimo, e a digressão com os The Dandy Warhols pelos Estados Unidos. Com uma carreira consistente, exploraram desde então várias sonoridade ao longo de uma discografia representada por diferentes editoras.

Num arranque de concerto visualmente intenso, graças às luzes estroboscópicas incessantes, Peter Hayes, Robert Been e Leah Shapiro apresentar-se-iam num palco sem grandes adereços e sob o negro do vestuário. "War Machine" e "Mama Taught Me Better" comprovam o destaque do mais recente trabalho de originais, mas ao terceiro tema trazem ao palco o disco de estreia: "Red Eyes and Tears" gera a primeira reacção sonora entre o público.

Mesmo com a digressão ensombrada pelo falecimento de Michael Been (The Call), pai de Robert Been, que sucumbiu a um ataque cardíaco no backstage do festival Pukkelpop em Agosto, os BRMC revelam-se uma máquina bem oleada em palco, com todos os ingredientes da sonoridade a fazerem sentido ao longo da actuação. Desde uma harmónica a evocar a figura de Bob Dylan às camadas shoegaze com volume no vermelho.



"666 Conducer" e "Bad Blood" abrem caminho para a mistura de folk e blues de "Ain't No Easy Way", um dos pontos mais altos na sala. Já com ritmo bem vincado entre os bateres de pé, chegam então três dos maiores sucessos do projecto norte-americano: "Berlin", "Weapon of Choice" e "Whatever Happened to My Rock 'n Roll?".

Sempre com um sentido de urgência presente nos temas, houve lugar à excepção em registo acústico antes de nova investida, com "Conscience Killer" e "Six Barrel Shotgun". E eis que "Spread Your Love", tema retirado do disco de estreia e um dos hinos na carreira dos Black Rebel Motorcycle Club, ameaça o final de concerto.

No regresso ao palco, despedem-se com o turbilhão da nova "Shadow's Keeper" e um aplauso convicto, após uma actuação em que comprovaram a sua importância dentro do movimento rock n' roll ao longo da última década.


Na primeira parte, já com um público muito significativo presente na sala, estiveram os doismileoito.