Os nova-iorquinos Vampire Weekend voltaram ontem à cidade que recebeu a sua estreia em Portugal. Dois anos depois do concerto na Casa da Música, um Coliseu do Porto muito bem composto foi palco de uma festa com sabor a Verão, em plena noite de S. Martinho.
reportagem FestivaisPT
fotógrafo:
Marco Eira
Projecto nascido durante o percurso académico do quarteto, os Vampire Weekend começaram a criar burburinho à volta das suas actuações em 2006, com a
world wide web a permitir que o passa-a-palavra ultrapassasse fronteiras. No ano seguinte, e já na estrada, lançam o primeiro EP: "The Mansard Roof". Com um bom conjunto de canções, estava criado o
hype com que o disco de estreia foi recebido, logo no início de 2008. Com um
indie rock influenciado pela boa disposição do
afro beat, rapidamente conquistam o público. Ainda nesse ano, esgotam uma edição de Clubbing na Casa da Música, na sua estreia em palcos nacionais, com um concerto arrebatador.
Ainda que a lotação não tenha esgotado, o público deixou pouco espaço vazio entre a plateia e zona das tribunas. No início da digressão europeia e nos seus primeiros concertos em nome próprio no nosso país, após as actuações no festival Alive!08 e Super Bock Super Rock 2010, os Vampire Weekend são claramente um fenómeno de popularidade, com uma capacidade de conquistar de uma forma transversal o público - heterogéneo o suficiente para entre a sala se encontrarem várias famílias.
Com as cores da bandeira nacional num dos amplificadores, Ezra Koenig, Chris Bajo, Rostam Batmanglij e Chris Tomson sobem ao palco em cima das 22h15 perante uma ovação que dispensou os primeiros acordes. Do mais recente "Contra", apresentam então "Holiday" e "White Sky", já num clima de euforia controlada. E se o Coliseu parecia já rendido, "Cape Cod Kwassa Kwassa" trouxe novos argumentos ao ambiente festivo já generalizado.
"I Stand Corrected" abrandou, então, o ritmo, antes da contagiante "M79" voltar a reclamar o bater de pés. Verdadeiros mestres da simplicidade, é dessa forma que apresentam o tema, afirmando o que parece óbvio ao assistir a uma actuação do quarteto: aqui não há lugar a grandes complexidades e é precisamente por serem tão simples e directos que são eficazes. Se "Taxi Cab" e "Run" permitiriam recuperar o fôlego, "Cousins e "A-Punk" tornariam a dança imperativa entre a assistência.
Já com o público arrebatado, houve espaço à interacção de "One (Blake's Got a New Face)" e ao ritmo mais tropical de "Diplomat's Son". Apresentada de uma forma solene, os Vampire Weekend escolheram o Porto para estrear "I Think Ur a Contra" em palcos nacionais, naquele que foi o momento mais sereno de toda a actuação. Com a bateria de Chris Tomson novamente vincada, chega "Giving Up the Gun" e a ameaça de despedida com "Campus" e "Oxford Comma", servidas sem pausa e interligadas.
Com uma ovação impressionante e múltiplos "Vampire Weekend" a ecoar entre as paredes do Coliseu, chega um
encore curto e eficaz - à semelhança de toda a actuação. "Horchata" terá recebido o melhor coro da noite, antes dos últimos minutos de celebração: "Mansard Roof" e "Walcott". A chuva ligeira no exterior contrastava com um ambiente a evocar as melhores memórias do Verão, a que a boa disposição das canções dos Vampire Weekend servem de banda sonora perfeita. De facto, assim parece fácil.
Alinhamento:
Holiday
White Sky
Cape Cod Kwassa Kwassa
I Stand Corrected
M79
Bryn
Cousins
Taxi Cab
Run
A-Punk
One (Blake's Got a New Face)
Diplomat's Son
I Think Ur a Contra
Giving Up the Gun
Campus
Oxford Comma
Encore:
Horchata
Mansard Roof
Walcott
Na primeira parte esteve o quarteto Jenny and Johnny, projecto vindo da California e convidado para a digressão europeia dos Vampire Weekend. Em cerca de 30 minutos, pouco mais fizeram do que entreter um Coliseu progressivamente composto, com um rock cinzento e uma apatia generalizada. Ainda assim, "Big Wave" e "Animal" receberam uma atenção moderada, partilhada com dedicatórias "ao público que não bebe" - enquanto muitos optavam pelo oposto na zona dos bares.