Dupla britânica seduz o público portuense no Hard Club, entre histeria contida e uma actuação sólida.
reportagem FestivaisPT
fotógrafo: Marco Eira
Na primeira passagem por Portugal em nome próprio, depois da actuação no Alive!10, os Hurts comprovaram ser já donos de uma séria legião de seguidores por cá, suficientemente transversal para que a plateia da Sala 1 do Hard Club fosse, esta noite, bastante heterogénea.
O projecto nasceu em 2009, em Manchester, com Theo Hutchcraft (voz) e Adam Anderson (teclas). Contrariando a imagem dos projectos pop, foi pelo lado sóbrio e quase austero (tanto nos fatos utilizados, como na vertente gráfica e audio-visual) que criaram uma identidade assente nas influências vindas directamente da década de 80. Com uma sonoridade que oscila entre a melancolia e a pungência electrónica, conseguiram fazer de "Happiness" - o disco de estreia - um caso sério de airplay.
Às 22h em ponto, os quatro músicos que acompanham os Hurts em digressão ocupavam posições em palco, permanecendo imóveis ao longo da introdução que se fazia ouvir. Entre a simplicidade e um lado teatral vincado, é de forma eficaz que a actuação ao vivo é construída desde os minutos iniciais. Com a chegada de Theo e Adam surgem os primeiros sinais de uma histeria controlada pela facção feminina e os britânicos apresentam "Unspoken" e "Silver Lining".
Se na primeira passagem por palcos portugueses eram apenas conhecidos pelos mais atentos (uma vez que a chegada do disco às lojas estava ainda a alguns meses de distância), esta noite a letra dos temas revelou-se bem conhecida entre a plateia: "Wonderful Life" contou com um coro afincado.
Num crescendo emotivo, chega "Happiness" e "Blood, Tears & Gold". Resumindo a comunicação com o público ao essencial, revezaram os pontuais "obrigado" com rosas brancas atiradas para a plateia, nas pausas entre temas. Numa nova roupagem, "Evelyn" contou com forte destaque das guitarras e bateria, naquele que foi o principal momento de ruptura face ao disco. "Sunday" - o novo single - e "Mother Nature" mostram, então, a capacidade dos Hurts de encorpar a sonoridade, rumo a uma grandiosidade pop imaculada.
"Devotion", tema que em álbum conta com a colaboração de Kylie Minogue, e "Confide in Me" (cover do hit da australiana) trariam de volta o coro afinado, à medida que os temas em falta escasseavam. "Stay" e "Illuminated" colocariam um ponto final no corpo principal do concerto, de novo num crescendo emotivo amplificado pela teatralidade de Theo em palco.
Em encore, "Better Than Love" convidaria à dança entre a plateia - e nem a bandeira nacional faltou na mão de Theo, para gáudio de um público que aprecia estes gestos de carinho. Com cerca de uma hora, a actuação dos Hurts revelaria uma solidez de que poucos projectos são capazes com apenas um álbum editado. Adaptando as influências do lado mais sombrio da pop electrónica da década de 80, os britânicos já não são apenas um nome a manter debaixo de olho: são uma certeza, tendo já conseguido cativar por completo o público mainstream, por norma alheio a esta sonoridade.
Alinhamento:
Unspoken
Silver Lining
Wonderful Life
Happiness
Blood, Tears & Gold
Evelyn
Sunday
Mother Nature
Verona
Devotion
Confide In Me (Kylie Minogue cover)
Stay
Illuminated
Encore:
Better Than Love
Na primeira parte do concerto estiveram os The Eleanors.
Feb 16, 2011
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1 comment:
THEEEOOOOOOO! xD
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