reportagem FestivaisPT
fotógrafo: Marco Eira
A sua voz reúne pouco consenso, recebendo de uma forma frequente a classificação de "infantil". Porém, o terceiro disco - "Have One on Me", lançado no ano passado e pretexto para esta mini-digressão por palcos nacionais -, foi presença constante nas listas de melhores discos do ano. E o público não hesita em concordar com a opinião da crítica, sendo poucos os lugares vazios esta noite na Sala Suggia da Casa da Música.

Na primeira de três datas em Portugal (seguem-se Aveiro e Lisboa), Joanna Newsom não poupou elogios à sala de espectáculos da Invicta - em que, por várias vezes, afirmaria ser um prazer estar a tocar - e à gastronomia portuguesa. Com uma presença em palco frágil e naïf, tal como a sua voz, equilibraria a timidez com a simpatia na sua ligação à plateia ao longo de cerca de uma hora e meia de actuação.
Acompanhada por Ryan Francesconi e Neal Morgan, com quem gravaria o mais recente trabalho, trouxe logo no arranque de concerto o disco de estreia ao palco: "The Book of Right-On" ("The Milk-Eyed Mender", 2004). Da harpa para o piano, na apresentação do tema-título do último longa-duração, "Have One on Me", o quinteto que acompanha Joanna Newsom estava já completo em palco.

Com um universo imagético associado a lendas folk, Joanna não teve a infância tipicamente norte-americana. Numa cidade com apenas três mil habitantes (Nevada City), cresceu sem rádio ou televisão, com concertos domésticos assegurados pelos seus pais, ambos médicos, numa frequência quase diária. A paixão pela música apareceu cedo, especialmente pela harpa - instrumento que ocupa a posição central no palco e sonoridade da americana.

Há oito anos, na digressão com Bonnie "Prince" Billy, chegou a oportunidade de traçar o seu percurso actual, com o disco de estreia editado no ano seguinte. E é a ele que volta depois de "Colleen", para apresentar "Inflammatory Writ". Entre temas novos ("Easy", "Soft as Chalk"), recorda os seus dois primeiros discos ("Cosmia", "Peach, Plum, Pear") e mostra em palco a evolução na sua sonoridade - e, em particular, na complexidade dos arranjos dos temas.
Já em encore, ficariam as novas "On a Good Day" - com Newsom sozinha em palco com a sua harpa - e "Baby Birch". No final do concerto, uma plateia rendida revelaria que Joanna Newsom é já dona de um assinalável culto entre o público português.
Alinhamento:
The Book of Right-On
Have One on Me
Easy
Colleen
Inflammatory Writ
Soft as Chalk
Cosmia
Good Intentions Paving Company
Peach, Plum, Pear
encore:
On a Good Day
Baby Birch
Na primeira parte do concerto, já com a sala próxima da lotação máxima, esteve o trovador escocês Alasdair Roberts.














